terça-feira, setembro 14, 2010

Viagem Catastroficamente Agradável

Era uma sexta-feira diferente, eu nem acordava direito e um caminhão chegava no meu prédio, a mudança estava finalmente começando, toda a bagunça de embalar as últimas caixas, carregar móveis, e várias pessoas levando minhas coisas enquanto eu simplesmente me arrumava para não me atrasar.

Ainda tive a sorte de ver alguns cômodos vazios. Estava tranqüilo, era um vazio diferente, a última mudança tinha me deixado relativamente triste, essa, estava me dando certa paz, exceto pelo caos que estava a minha volta. Não importava, era hora de ir ao aeroporto.

Uma viagem tranqüila, algumas turbulências, reclamação pessoal, mas não lembro de tantas turbulências antigamente, parece que os aviões de hoje não tem a mesma resistência. Cheguei em São Paulo, cidade agradável, aeroporto lotado, e ninguém para me buscar, isso depois de ter combinado com duas pessoas diferentes, que no fim poderiam ir para o mesmo local, que seja, não tinha ninguém.

Peguei um táxi e fui para a doceria do tio. Lugar agradável e com cheiro de chocolate. Alguns parentes, muito papo em dia, muitos doces, mais alguns doces, e outros doces, até o momento de finalmente ir ao alfaiate (nasci antes de 1990, não sei se existe outro nome para tal), tirar medidas para a futura roupa do casamento. Ser padrinho, divertido, mesmo que não tenha sido o único convite do ano.

Mas alfaiates ainda me deixam tenso. Alguém com fitas métricas, e medindo você, em diversas posições, fazendo você experimentar e trocar e vestir e tirar e trocar panos. Ainda tendo o prazer de ter sido selecionado para ir primeiro, e tendo tio e primo assistindo de camarote (eram os próximos) e fazendo piadas que deixavam até o pobre rapaz envergonhado ou rindo abertamente.

Eu sabia que demorava, não sabia que tanto. A roupa será extremamente quente, e começo a torcer para que tenha neve em outubro em São Paulo, existe alguma real chance? Algumas horas depois, todos devidamente medidos, fomos aumentar as medidas. Sim, estragar o trabalho de um alfaiate numa pizzaria é uma decisão inteligente. Por isso pedimos os 2 cm extras ao rapaz.

Sábado foi dia do chá bar, pessoas inventam cada nome, muita gente, muita festa, muita comida, poucas me agradavam, muito divertido, pouco tempo me restando. Passei o dia lá, e a noite também, chegando tarde na casa dos meus tios. Tarde o suficiente para dormir, acordar e ir embora no dia seguinte.

Acordar atrasado, me arrumar correndo, meu tio ainda fazer a surpresa de passar na loja e me abastecer de doces para trazer para casa, enquanto eu estava feliz achando que não teria que carregar bagagens extras. Outros parentes reclamando da minha ausência em visitá-los, mesmo os próprios constatando que não havia tempo. Viagem muito corrida, como eu esperava e imaginava.

No aeroporto ainda pude encontrar, atrasado obviamente, a Giu que estava tendo um ataque de risos, e a Lih com toda sua fofura e expressão indignada pelo meu atraso. Ainda tivemos tempo de comer algo, apesar da falha informação da Lih que existe comida decente no aeroporto, ri muito com elas, constatei o que já sabia, ambas são engraçadas e fofas, a Lih é fofa plus.

Subi levemente atrasado para a plataforma, ouvi meu nome ser anunciado, vi a cara feliz do funcionário da Gol quando eu cheguei correndo agitando minha passagem e ele perguntava meu nome para confirmar. Tive o prazer de ter todos os passageiros me olhando entrar, sentei e voltei feliz para casa constatando que, passar apenas um final de semana em São Paulo é muito pouco para tudo que eu queria fazer.

Minha sorte é que eu sempre volto, e espero que nessa volta as pessoas que ficaram levemente putas pela minha não-visita, fiquem mais felizes com a minha presença, o que me faz pensar o quanto elas são estranhas.

quarta-feira, setembro 08, 2010

#12 — The person you hate most/caused you a lot of pain

Admito que chega a ser irônico começar justamente pela carta que eu achei que seria a mais difícil. Difícil porque eu não costumo odiar alguém, e não lembro de muitas pessoas que me causaram algum tipo de dor.

Sinceramente, talvez nem você devesse ter essa carta direcionada, mas mesmo ainda gostando de você, mesmo que eu não sinta raiva ou rancor ou nada do gênero, principalmente por não haver motivo. Eu consegui pensar em você em um momento aleatório, consegui pensar em você como alguém que me deixou chateado e fez eu me auto questionar muito por um longo período.

Só por isso eu já deveria te admirar e te agradecer ainda mais, e realmente o faço, mas também não posso deixar de ficar triste. Afinal, eu sempre quis ser seu amigo, e sempre me esforcei demais para tal. Sempre. Talvez esse esforço em excesso que tenha atrapalhado tudo.

Eu sempre tratei todos bem. Sempre me esforcei para que gostassem de mim. Sempre fui legal com as pessoas, contigo incluso, principalmente contigo, porque eu realmente queria ser seu amigo. Eu admirava você, e achava engraçado, inteligente, e você falava coisas que eu sequer poderia imaginar ou teorizar, e acabava concordando com quase tudo no fim. Eu queria te acompanhar, queria ser como você, queria ter uma imaginação como a sua, ou simplesmente, queria pensar em coisas que fizessem você também me enxergar como alguém legal, como um amigo, como um dos seus.

Talvez eu ainda não tivesse essa capacidade, talvez ainda não tivesse muita noção, talvez eu ainda nem tenha, mas eu me esforçava para estar ali, me esforçava para agradar e muitas vezes era ignorado. Chegava a invejar os seus amigos, aqueles que você procurava, porque eu queria ser um deles, e me perguntava o que havia de diferente. O que eles tinham que aparentemente eu nunca chegaria a ter.

Eu sempre estava ali disponível para ajudar, para opinar, para ver algo novo que você tinha feito, uma foto, um texto, ou simplesmente para te ouvir, para você poder desabafar. Mas nunca era o suficiente e eu nem conseguia te culpar. Como ainda não consigo, até porque eu nunca o farei.

Eu obviamente ainda não compreendo, isso seria pedir muito, contudo tenho plena consciência que sentimento, mesmo de amizade, não é algo que se controla. É simpatia, é inexplicável, tem que ser recíproco, tem que acontecer. Você não pode gostar de alguém simplesmente porque ele também gosta de você. Não acontece assim, por mais que eu quisesse.

Não importa. Eu continuo tratando os outros bem. Continuo tentado ser legal com todos, inclusive aquelas pessoas que eu não sinta algo tão legal e profundo quanto à amizade, porque eu sei como é ruim você querer ser amigo de alguém e não conseguir, e simplesmente ser esnobado e se perguntar o que você fez de errado.

Não vou chegar a dizer que uma das minhas principais características eu aprendi com você, porque eu sempre fui assim, mas posso dizer sem medo, que a idéia amadureceu muito contigo, porque ali eu percebi que realmente machuca você admirar e querer ser amigo de alguém, mas não sentir nem um esforço vindo do outro, não receber atenção.

Eu sabia que bastava eu me afastar para você sumir, por isso faz muito tempo que não tenho noticias suas, mas é certo que quando eu me lembro de ti fico feliz. Só consigo realmente lembrar o que eu gostava em você. Parece que apesar de tudo eu ainda te respeito muito.

Mesmo depois de tanto tempo. Se a gente se conhecesse hoje talvez eu fizesse tudo diferente, ou não.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Problema meu

Mania infantil de me preocupar demais. De me preocupar se estou ofendendo ou magoando alguém. Se algo que eu disse pode ser mal interpretado, ou se torne uma ofensa a décima potência. Medo de não ser desculpado.

Mania infantil de não revidar, de raramente retrucar. Deixar ser ofendido, até rir daquelas brincadeiras que machucam, já me habituei, apenas sentir e calar. Tudo pelo medo de ofender a quem eu me importo. Não ligo de ser ofendido. Eu nunca liguei, porque no fim eu supero. Sempre superei.

Já vi isso acontecer. Amigos brigando e ficando anos sem falar com outros por bobagens. Não perco meu tempo, porque eu supero. Fato é que as pessoas não aguentam um décimo do que elas falam ou fazem com as outras, por isso se ofendem, por isso discutem e brigam e saem magoadas. E sim, elas dificilmente superam.

Mania infantil, certo, mas sinceramente, é graças a ela que, apesar de parecer fraqueza, eu me acho mais forte que a maioria, porque eu aguento e raramente não supero.

sábado, agosto 21, 2010

eu sou...quem?

Lembro que uns dias atrás depois de anos mudei o nick no msn. O shade era Bruno novamente. Eu sabia que muita gente ali não estava familiarizada com meu nome, apesar de já ter esbarrado com ele por ai algumas vezes. Mesmo assim é estranho, e eu compreendo. Algumas pessoas simplesmente falaram que ficaram me procurando e não me achavam, outras simplesmente me excluíram porque não sabiam quem eu era. Até alguns amigos não-virtuais, que nem sonham em saber quem é o shade, estranharam a mudança.

A quem perguntava, eu apenas respondia, com a incerteza de sempre "Sei lá, eu estava muito shade". E não há como saber o que essa frase significa, apesar dela ter todo sentido.

O shade é efusivo, o bruno é mais cauteloso. O shade é mais paciente, o bruno é mais ansioso. O shade é mais exposto, o bruno é mais reservado. O shade é mais comunicativo, o bruno é mais calado. O shade é mais confiante que o bruno. O shade é menos inseguro que o bruno. O shade é tímido, o bruno é muito tímido. O shade fala merda, e o bruno também fala merda. O shade é no sense, e o bruno também não tem senso. O shade é o bruno e o bruno é o shade.

Quem eu sou? Eu sou aquele dali, e o outro também.

E eu precisava disso.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Epic Fail

Eu planejava hoje começar a escrever a primeira carta para o projeto. Tudo até caminhava relativamente bem, eu comecei, minha paranóia me implorando para começar pelo primeiro item, e descobri que o que seria aparentemente o mais fácil, talvez não seja. Além do fato de ser extremamente irônico.

Simplesmente não estou bem, não consegui, comecei a ficar consideravelmente mais depressivo do que estava de manhã. A vida é isso, dias melhores virão, mas ainda não é hoje.

Contudo, algo na vida tem serventia. Larguei a paranóia de lado, e não vou seguir categoriamente a ordem das cartas, só espero realmente que isso não me faça deixar alguma(s) de lado.