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sexta-feira, janeiro 27, 2012

Coisas que não entendo...

Ontem eu estava falando com uma amiga sobre religião. Um assunto que eu pouco discuto, porque eu acredito que cada um tem sua fé, ou falta dela, e se a pessoa viver feliz assim que tudo esteja bem. Mas não me impediu de pensar hoje sobre a expectativa que muita gente coloca no céu.

Acredito e me atrevo a dizer que, dentre as que acreditam, a maioria das pessoas quer ir para o céu. Elas querem ir para esse lugar melhor onde teoricamente não há tristeza, não há guerra, não há fome ou pobreza. Onde todos são felizes e convivem em plena harmonia. Onde apenas as pessoas boas iriam. Onde poucos teriam realmente o direito de viver. Atualmente, eu diria que o céu poderia ser do tamanho de uma pequena vila, e nem assim ela estaria cheia o suficiente.

Contudo, muita gente, mesmo em suas crenças, acredita que tem as características para alcançar esse bônus da vida depois da própria morte. Mesmo aquelas que discriminam os outros em nome do que acreditam, ou que pecam em segredo, mas mantém a postura do impecável, desde que se arrependam depois, ou por sua própria consciência ou pelo medo, não estou aqui para julgar o arrependimento alheio.

Então vamos lá, digamos que não precise de muito para se entrar no céu. Digamos que alguns pequenos pecados são perdoados, desses do tipo o ódio justificado pela religião e por aquilo que é "condenável". Desses que só acreditam no perdão de seus próprios erros, mas que ignoram a compreensão aos erros alheios. Se essas pessoas merecerem o céu, e muitas acreditam que sim apenas porque estão semanalmente, ou mais, em seus cultos e missas e reuniões, então qual seria a diferença entre ele e o mundo que vivemos hoje?

A grande pergunta é: Por que esperar morrer para ser bom? Por que esperar morrer para não fazer uma guerra? Ou então para poder perdoar? Porque se todo mundo que estiver aqui, exceto aqueles que não fazem questão, forem para o céu, então não terá grandes diferenças do que temos hoje. Aliás, terá uma diferença: O céu não terá algumas ótimas pessoas. Afinal nem todas as pessoas boas são religiosas, e nem todas as pessoas religiosas são boas de verdade.

Já cansei de ouvir que o inferno é aqui, mas o inferno é aqui porque nós fazemos assim. O paraíso também terá grandes chances de virar um inferno, tudo dependerá das pessoas que irão viver lá. Nós humanos temos que perder a mania de querer as coisas boas sem nos esforçar de verdade para tê-las. Então, eu realmente não entendo porque esperar a morte para ter o céu, se com um pouco de esforço nós poderíamos tê-lo bem aqui, e para todos, não apenas para alguns.

Apenas por curiosidade: Eu sou católico, eu realmente acredito em deus, eu gosto da bíblia, mas nem por isso deixo de questioná-la, e principalmente, eu respeito quem acredita em qualquer outra coisa diferente. Até porque eu gosto que respeitem o que eu acredito, e por isso raramente alguém me vê falando sobre religião.

domingo, dezembro 25, 2011

Um filme parecido demais

O mundo é irônico, visto meu último post aqui.

Faz praticamente nove anos que eu vi um filme parecido, e nem tiveram a decência de mudar o final. O mesmo sol escaldante, no mesmo hospital, e segundo meu primo, no mesmo box. Uma festa de final de ano morna, onde existiam lapsos de felicidade até lembrar que havia algo errado.

A mesma certeza de que a duvida é uma tortura maior do que qualquer resposta. A mesma esperança de uma pequena chance. Há nove anos o movimento de um simples dedo mindinho, hoje de olhos rapidamente abertos. E então uma rápida respiração aliviada, indevida, até o telefone tocar. A gente nunca aprende. Aliás, a gente prefere não aprender.

Nove anos e hoje será o mesmo jardim, os mesmos girassóis, as mesmas conversas durante a mesma madrugada quente. A grande diferença é que não vai ter alguém para contar as mesmas piadas. Daquelas que você escuta por anos e anos e ainda consegue rir, porque sempre existe alguém que ainda não escutou e acha graça, e assim acaba contagiando em qualquer situação.

Estou com um ar meio capítulo trinta e um de um último livro. Agora, apesar de tudo, eu ainda consigo lembrar as partes boas desse Natal, porque elas existiram, mas com o tempo o dia de hoje será lembrado apenas como uma data triste.

terça-feira, outubro 11, 2011

As vezes eu também preciso deitar

Desde sempre eu sei que eu tenho um problema grave de me abrir com os outros. Chegar para alguém e falar um problema meu, daqueles que realmente me afetam é quase um parto. Então naquela noite tudo o que eu precisava era ser ouvido. Na realidade eu queria mesmo era conversar e ouvir e falar aleatoriedades e rir e ser feliz como sempre fui, mas como eu não estava conseguindo isso, então eu senti que precisava ser ouvido. Aliás, eu não senti, apenas aconteceu como acontece quando se chega ao máximo do suportável.

Fiquei bem feliz aquele dia que você estava ali, e que eu consegui conversar tão bem contigo. Me senti realmente aliviado aquele dia. Não que os problemas tenham passado, pelo contrário, eles persistem e vão persistir por um bom tempo, mas naquela noite eu tenho certeza que eu dormi mais leve.

Obrigado!

quarta-feira, setembro 14, 2011

Quando o simples se torna complicado.

Então você é uma pessoa comum vivendo sua vida normalmente. Quando aparece alguém, um amigo ou simples conhecido, vocês se olham e sorriem por se encontrarem. Encontrar alguém que você gosta é sempre legal. Tudo sempre começa com um oi, ou algum aceno de cabeça. Então você ouve a pergunta: Tudo bem?

Tudo bem? Aquela frase ecoa na sua cabeça naqueles rápidos segundos, que nem chegam a ser segundos. Mesmo? E você sente aquela súbita vontade de falar que não, não está tão bem assim. E contar seus problemas, e suas frustrações, e seu desespero, e tudo aquilo que parece preso na sua garganta, que faz seu peito apertar, ou seu cérebro entrar em estado de autocombustão, e simplesmente nada sai.

Afinal, ele nem deve realmente se importar, ou você não quer chateá-lo com seus problemas, ou talvez ele nem queria realmente saber como você estava. Sua insegurança predomina, e você conclui então que era só uma pergunta cotidiana e comum. Uma simples pergunta. Então você fecha os olhos, abaixa um pouco a cabeça, respira fundo e responde:

Tudo bem sim, e contigo? 

E você sabe que você se importa.

terça-feira, agosto 23, 2011

Não há resposta quando não há pergunta

Eu sou uma pessoa naturalmente curiosa. Eu pergunto tudo sobre a vida das pessoas que eu gosto quando recebo o minimo de abertura. Por vezes tento me controlar por achar que estou invadindo demais a privacidade alheia, e chego a avisar que podem me mandar calar a boca, ou fico perguntando se estou exagerando. Até hoje, por sorte, sou feliz e encontrei apenas pessoas educadas que dizem que não, eu não costumo exagerar.

Me sinto com essa liberdade, porque eu parto de um principio de que as pessoas podem me perguntar qualquer coisa, o problema ficará apenas se eu vou ou não responder. Perguntas dificilmente me ofendem, e dificilmente eu a deixo sem resposta quando é sobre mim.

A grande questão é que as vezes eu me encontro em situações onde existe a curiosidade, existe a vontade, mas eu simplesmente me calo, a pergunta nunca acontece e eu fico sem saber. Não por achar invasivo, mas por ter medo da resposta, por ter medo de não aguentar.

São perguntas que eu imagino a resposta que vou escutar, e simplesmente me dou o direito de não ouvir, não naquele momento. Eu acredito que isso seja um ato um tanto quanto fraco em mim,.mas algumas dessas confirmações seriam realmente o tipo de coisa que eu não precisaria nessas horas.

A parte irônica é que por vezes esse silêncio é justamente a resposta que eu precisava para as perguntas que eu fazia a mim mesmo. Perguntas essas que ou eu não sabia, ou não tinha certeza da resposta. Aquela estranha confirmação silenciosa, quando você se dá conta de algo obvio, ou não tão obvio.

Não é exatamente o tipo de coisa que facilita a vida. Definitivamente não é, mas também não é nada que impeça de seguir adiante. Afinal tudo passa, e essa foi a primeira grande lição da vida que eu aprendi e nunca mais esqueci.

quinta-feira, agosto 11, 2011

O dia que eu quase perdi o medo de palhaços

Passei boa parte da minha infância tendo medo de palhaços. Geralmente não gosto de maquiagens pesadas, e rostos pintados. Eu chorava pra ninguém me fazer bigodinho em mim em Festas Juninas. Vamos combinar que nem todo o caipira tem barba.

Mas um dia aleatório voltando da faculdade eu vi uma criança chorando ao lado da mãe numa praça. Aquelas mães que não sabem mais o que fazer, enquanto o filho faz um escândalo sem razão. Então aquele ser colorido, de peruca amarela, roupas largas, cheias de bolinhas e listras e muita maquiagem no rosto apareceu na frente dele, e fez uma brincadeira com um balão. Uma brincadeira boba e inocente e ele parou de chorar e sorriu. Aquilo foi tipo mágico. A figura em si ainda me assusta, a maquiagem ainda é algo que me incomoda, mas o simbolismo e o poder são fascinantes. Palhaços tem o poder de fazer uma das coisas que me deixam mais satisfeito.

Eu tenho muito disso. As vezes eu acho que não vim ao mundo para ser o inferno de ninguém. Odeio essa sensação. Gosto de fazer as pessoas felizes. Ganho meu dia quando faço alguém sorrir, e realmente não entendo porque as pessoas não podem ser simples, e serem felizes com mais facilidade, ou tem que se incomodar tanto com os outros. É daqueles momentos em que eu acho que nasci no mundo errado.

Eu queria conseguir abraçar mais as pessoas, não necessariamente dizer mais vezes o quanto eu gosto delas, porque isso eu faço bastante, tanto que as vezes acho que um ou outro não acredita ou não leva tão a sério. Mas isso já é uma questão minha de insegurança, coisas que eu teria que lidar, e tento, mas a passos lentos.

As vezes eu consigo fazer algumas pessoas que eu gosto sorrirem depois de um dia triste, e é algo que me deixa extremamente satisfeito. Talvez alguns achem que eu me contente com pouco, mas eu não acho pouco. Por isso eu sou estranho. Eu gosto de ser estranho, e ainda tenho medo de palhaços, mas gosto do que eles significam.

sexta-feira, julho 29, 2011

Nostalgiando

Ignorem o fato de que eu não tenho mais férias em julho desde algum tempo. Ignorem o fato de que agora eu tenho um ipod que eu uso apenas um décimo da capacidade. Ignorem tudo e me deixem.

Lembro das épocas que eu ia todas as férias duas vezes ao ano para São Paulo. Passar lá um mês ou mais. Onde ficava na casa dos meus primos. A rua era sempre cheia de crianças e adolescentes. Quase não passava carros, montávamos uma rede de vólei no meio da rua e xingávamos qualquer raro carro que atrapalhasse nosso jogo.

Lembro que após isso todos sentavam na calçada e ficavam conversando até duas ou três horas da manhã, e isso era um grande feito, até mães e tias começarem a surgir e nos puxar para dentro. Lembro dos amigos, das risadas, dos tombos em patins que eu nunca soube usar. Das corridas de bicicleta, dos tombos nessas mesmas bicicletas. Das vaquinhas para ir ao mercado comprar refrigerantes e biscoitos. Muitos biscoitos, e eu nem gostava tanto de biscoitos. De sentir saudades desses amigos de férias.

Então eu voltava para casa no fim, perto do dia 30 de julho sempre, afinal eu ainda precisava me adaptar ao ritmo normal antes das aulas começarem. Então eu entrava no ônibus, que era absurdamente mais barato do que avião, economizava o dinheiro do avião que meu pai me dava, gastava tudo em São Paulo, e pegava o 1001 com ar-refrigerado. Era o Rolls-Royce dos ônibus de viagem. Tinha tv e lanchinho. Lanche melhor até do que os atuais dos aviões.


Lembro que apesar da economia o tédio ainda era grande quando se tem 6 horas de viagem. Então eu pegava meu diskman ultra moderno e ficava ouvindo meus cds, que travavam quando o ônibus pulava. Com grandes e potentes fones, cantando alto porque a gente perde a noção que não está sozinho e se empolga.


Lembro de uma vez em especial que esqueci todos os meus cds em casa. Exceto aquele do Space Jam, sim do filme do Pernalonga, que tinha ficado lá dentro. Ele era interessante por ter adoráveis sessenta e um minutos de música aproximadamente. A solução na minha mente, que não podia usar relógio de pulso por alergia, foi ouvir aquele cd seis vezes seguidas, para saber que estava próximo de chegar em casa.

Bons tempos.

sábado, julho 23, 2011

Sobre Lamas e Lembranças

Existe um amistoso café-restaurante no Rio de Janeiro, Lamas, tão antigo quanto minha avó poderia se lembrar. Exceto que talvez ela nunca tenha ido. Frequentado por artistas, personalidades, e vários clientes carimbados desde a época em que os séculos ganharam sua maioridade.

Seu ambiente é engraçado, mantendo grande parte da construção original. Paredes forradas de uma madeira escura, aquelas cadeiras e mesas quadradas com toalhas extremamente brancas e um excesso de talhares, lustres com cristais antigos e uma iluminação precária. Os garçons em geral parecem ser os mesmos desde a fundação. Fazem parte da casa os cabelos brancos desfilando com suas bandejas e gravatinhas borboleta.

Alguns dizem que o  local perdeu parte do charme com a lei anti-fumo. Eu apenas acho que ele perdeu uma nuvem de fumaça que permanecia no alto e ganhou um novo teto, o qual eu nunca tinha reparado que existia.

Mas mesmo assim eu ia com família ou amigos de vez em quando, principalmente aqueles que tinham curiosidade de conhecê-lo, apenas para me lembrar porque eu não o frequentava mais vezes. Então quando essa lembrança sumisse eu poderia ir novamente, sem problemas, até que a sensação ficasse novamente fresca em minha memória.

Alguns lugares parecem ter esse poder sobre nós.

terça-feira, junho 28, 2011

Aceita um copo de coca?

Havia risos e nostalgia. Era como sempre foi, mas que raramente era. Havia pizza e coca zero. Havia histórias repetidas e mais risadas. Por um momento foi esquecido todos os furos, as ligações não retornadas, os sumiços repentinos e os xingamentos mentais sobre a falta de consideração. Tudo abafado pelo barulho ensurdecedor da felicidade. E que os vizinhos me odeiem.

Poderiam acontecer mais vezes, mas talvez não tivesse o mesmo impacto. Então vieram as costumeiras reclamações de sono, e um já vou que nunca chega, acompanhados de mais risadas e mais histórias, algumas repetidas, algumas novas. E tudo parecia como sempre, apesar de ainda faltar gente. É feliz, provavelmente haverão mais dores de cabeça até esse cometa passar novamente, mas não adianta, quando passa é sempre bom.

domingo, maio 29, 2011

Coragem? not too much

Coragem é aquela coisa engraçada com vem uma boa dose de falta de senso. Eu sempre tive coragem para questão não pessoais. O meu grande problema é justamente que a vida é muito pessoal, e nesse caso eu pareço ter muito senso.

Eu bem queria olhar para você sem medo. Ou dizer tudo o que eu queria. Talvez não tudo, mas a parte mais interessante. Eu sempre falo demais, mesmo quando em silêncio, e tudo poderia ser muito.

Eu poderia tentar via carta sem destinatário. Se o grande problema fosse a pessoa, mas isso é sempre o de menos. O impasse normalmente está no conteúdo.

O que me lembra que eu tenho que terminar o projeto das cartas. Por favor, eu preciso terminar.

segunda-feira, maio 23, 2011

Again and Again and A....

Não é nem a primeira ou a última vez. Não é nem a primeira ou a última pessoa, mas em todas as vezes eu fico assim. Fiquei chateado hoje. Sabe? Algo que pouca gente já me viu ficar. Penso que eu já deveria estar acostumado. Não posso nem mentir, eu já esperava por isso, de novo. Mas até o mais pessimista, o que ainda não é meu caso, tem uma esperança de estar errado.

Tudo poderia ter sido diferente hoje, e feliz. Mas não, eu me prendi a algo tão incerto quanto jogar na loteria. Algo que até quando é espontâneo tende a dar errado. E isso não importa. Como eu disse, não será a primeira ou a última vez. O grande é problema é que todas as vezes eu apenas me pergunto o quão importante eu sou para as pessoas. Pode parecer besteira para alguns, mas para alguém que não tem uma autoconfiança muito sólida, é exatamente o tipo de duvida que fica por um tempo consideravlemente chato.

Minha sorte é que o que eu sinto é tão volátil e passageiro, que o silêncio é menos nocivo que a discussão. Nem todo mundo é assim.

Antigamente eu me perguntava porque continuar aqui, e sempre tinha um número pequeno de respostas. Com o tempo as respostas ora aumentavam, ora diminuíam. Parei de fazer isso, porque não saberia como reagir quando eu não tivesse mais o que responder.

quinta-feira, março 10, 2011

The Last Night

Espere a noite chegar e vá até sua janela. Depois que abrir as cortinas olhe atentamente para cada ponto luz na terra. Ignore por um instante as estrelas e a lua. Olhe apenas em frente as milhares de luzes que iluminam a noite.

Imagine que por baixo daqueles milhares de pontos brilhantes existem uma, duas, três ou mais vidas. Cada um com suas alegrias, tristezas e problemas. Cada um vivendo conforme sua própria consciência. A grande maioria não te conhece, não sabe quem você é, ou sequer se importa contigo.

Poucos se importam com o que te acontece, ou deixa de acontecer. Exceto é claro que seja algo muito grave e se torne publico, então todos se importam. A maioria dos problemas graves e difícil saida são comuns a todos. Então é mais fácil alguém se identificar, ou temer que lhe aconteça o mesmo, e assim se importar.

Olhe de novo e pense em quantos ali você ajudaria. Quantos você já dedicou sua atenção ou mesmo se importou. Quantos você já não xingou mentalmente por algum inconveniente. Ou quantos você elogiou por alguma aleatoriedade.

Agora pense nas luzes que sua visão não alcança. Ou nas que estão apagadas devido a madrugada. Pense. Pense em cada uma. Em cada vida, em cada conflito, em cada sorriso, em cada tristeza e no que cada um fez por você para que você sorrisse, chorasse ou vivesse.

Pense em quantos você conhece, quantos você ainda quer conhecer, quantos você não faz questão, quantos você sabe o nome, quantos você agradeceu e quantos você sorriu pela manhã mesmo em um dia de chuva.

Faça isso um dia. Não hoje e nem amanhã. Apenas quando o tempo e o sono lhe permitirem. Assista na janela até todas as luzes se apagarem e o dia ficar claro. Até o sol nascer, e tudo se transformar em uma coisa só, uma coisa maior. Mas comece pela noite, porque é nela que tudo se destaca e as coisas aparentam ser mensuráveis.

Fazer tudo isso não tem um real significado. Nada especial, mas já é um bom para começar a entender o problema do mundo.

domingo, março 06, 2011

Apenas uma noite de carnaval

Em uma noite comum de carnaval, ouvindo músicas aleatórias no fone, pensando em frente a tela do computador. Pensando no que poderia ser, no que poderia ter sido e no que poderia mudar.

Não quero pensar, mas não paro.

E continuo escutando músicas aleatórias em uma noite de carnaval.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Pequenas coisas

Um sorriso de quem se gosta. Ou uma pequena boa noticia boba. Ou alguma encomenda que chega. Ou uma carta com aquela letra arredondada escrita a mão. Ou apenas dois nomes em um calendário qualquer. Ou o barulho da chuva antes de dormir. Ou caminhar sentindo o vento frio no rosto em um dia comum. Ou qualquer outra coisa que seja agradável.

São essas pequenas coisas que alegram, que marcam, que nos arrancam sorrisos e suspiros. Muitos não compreendem, fazem pouco caso ou simplesmente um comentário desagradável. Como se fosse impossível ser feliz com algo tão simples.

Não compreendem, talvez por nem tentarem. Mas tudo bem, afinal, eu estou feliz, e não me importa o tamanho do motivo, mas sim a conseqüência.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Satisfazer o insatisfeito

Eu estou triste, mas isso não importa. O que importa é o que você sente, porque se você não está bem eu continuo triste, mas também com dor de cabeça. E você tem um humor tão instável que simplesmente não dá para ter exata certeza de como lidar. Mesmo com alguns anos de experiência, simplesmente não dá.

Porque mesmo quando tudo caminha da forma certa, algo incomoda. Pode nem estar visível, mas é encontrado em uma busca minuciosa. Porque sempre há algo para se encontrar. Coisas tão insignificantes que viram meteoros capazes de destruir a Terra.

As vezes eu canso, mas me cansar é inútil, porque nunca muda. Eu até quero, mas simplesmente não vejo como. Então eu desisto, porque uma coisa eu certamente aprendi: É impossível satisfazer o eterno insatisfeito.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Algo novo para o ano novo

Desde 2007 que existe uma onda pessimista a minha volta em relação a novos anos, como se a cada virada um ano fosse terrivelmente pior do que o outro. Algo tão absurdo que me fazia esquecer o que de bom aconteceu, e me deixasse apenas a memória ruim e que sim, ele havia conseguido ser pior que seu precedente.

O pior é realmente conseguir contabilizar uma sucessão de acontecimentos desagradáveis, mas que qualquer pensamento mais racional teria encontrado o equilíbrio com o que houve de bom. Bastava apenas lembrar disso.

Fato é que na virada desse ano deixei várias daquelas antigas pequenas tradições que ninguém leva a sério, mas acredita minimamente, de lado e simplesmente não as fiz.

Não pulei as ondas, até por uma questão de higiene, estou em São Paulo  e a Represa de Guarapiranga não me inspira muita confiança. Não comi as uvas, e romãs e lentilhas que as tias sempre oferecem. Não sai na rua para abaixar as calças e mostrar a bunda pra lua. Não usei cueca nova e de alguma cor especifica (mas estava limpa, ok?). E nem fiz muitas das outras recomendações (e brincadeiras - sérias) que pessoas das mais variadas religiões ensinam a fazer.

Simplesmente porque achei ser muito estranho querer um ano diferente e começar fazendo justamente as mesmas coisas. Fato é que, independente de tudo, me senti bem. Senti uma certa e reconfortante confiança. E pode ser tudo balela e tudo se manter igual ou pior, mas pode melhorar, e a graça é essa incerteza.

E bom, feliz 2011.

domingo, novembro 21, 2010

Ciclo

Somos importantes enquanto somos úteis, mas basta uma opção melhor para sermos guardados, deixados simplesmente de lado. Uma versão mais nova, mais empolgante, mais interessante, mais intensa, não importa, uma versão que nos substitui.

Porém nem tudo que é novo dura para sempre, normalmente é até mais frágil. Então ele se quebra, não é mais importante ou mesmo útil. É apenas um passado que dificilmente volta.

Então é hora de buscar o que estava guardado, o que foi abandonado diante do novo. E seguir assim, até que um dia apareça alguma outra novidade, e voltemos a ser guardados apenas esperando ser novamente lembrados.

Sorte que nem todos são assim.

domingo, novembro 07, 2010

Sei lá...

As vezes eu fico com vontade de escrever;
As vezes eu fico sem inspiração nenhuma;
As vezes eu fico parado apenas olhando a tela em branco;
As vezes eu fico apenas lendo o que os outros escrevam;
As vezes eu fico apenas sentindo o que os outros sentem;
As vezes eu fico apenas espectador das outras vidas;
As vezes eu fico tão ligado a isso que esqueço da minha própria;
As vezes eu fico tão perdido que não sei o que dizer;
As vezes eu fico tão preocupado que dói;
As vezes eu fico tão ansioso que pioro tudo;
As vezes eu fico com a sensação de querer sumir;
As vezes eu fico com vontade de gritar aos 4 cantos os meus problemas;
As vezes eu fico com a sensação de que apenas eu sou errado;
As vezes eu fico sem saber definir;
As vezes sei lá.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Sem titulo

Comecei um texto e parei na metade, li alguma coisa e apaguei tudo sem nem pensar. Pensar talvez não me deixasse apagar, porque eu queria escrever, eu quero escrever, mas querer não é suficiente.

terça-feira, setembro 14, 2010

Viagem Catastroficamente Agradável

Era uma sexta-feira diferente, eu nem acordava direito e um caminhão chegava no meu prédio, a mudança estava finalmente começando, toda a bagunça de embalar as últimas caixas, carregar móveis, e várias pessoas levando minhas coisas enquanto eu simplesmente me arrumava para não me atrasar.

Ainda tive a sorte de ver alguns cômodos vazios. Estava tranqüilo, era um vazio diferente, a última mudança tinha me deixado relativamente triste, essa, estava me dando certa paz, exceto pelo caos que estava a minha volta. Não importava, era hora de ir ao aeroporto.

Uma viagem tranqüila, algumas turbulências, reclamação pessoal, mas não lembro de tantas turbulências antigamente, parece que os aviões de hoje não tem a mesma resistência. Cheguei em São Paulo, cidade agradável, aeroporto lotado, e ninguém para me buscar, isso depois de ter combinado com duas pessoas diferentes, que no fim poderiam ir para o mesmo local, que seja, não tinha ninguém.

Peguei um táxi e fui para a doceria do tio. Lugar agradável e com cheiro de chocolate. Alguns parentes, muito papo em dia, muitos doces, mais alguns doces, e outros doces, até o momento de finalmente ir ao alfaiate (nasci antes de 1990, não sei se existe outro nome para tal), tirar medidas para a futura roupa do casamento. Ser padrinho, divertido, mesmo que não tenha sido o único convite do ano.

Mas alfaiates ainda me deixam tenso. Alguém com fitas métricas, e medindo você, em diversas posições, fazendo você experimentar e trocar e vestir e tirar e trocar panos. Ainda tendo o prazer de ter sido selecionado para ir primeiro, e tendo tio e primo assistindo de camarote (eram os próximos) e fazendo piadas que deixavam até o pobre rapaz envergonhado ou rindo abertamente.

Eu sabia que demorava, não sabia que tanto. A roupa será extremamente quente, e começo a torcer para que tenha neve em outubro em São Paulo, existe alguma real chance? Algumas horas depois, todos devidamente medidos, fomos aumentar as medidas. Sim, estragar o trabalho de um alfaiate numa pizzaria é uma decisão inteligente. Por isso pedimos os 2 cm extras ao rapaz.

Sábado foi dia do chá bar, pessoas inventam cada nome, muita gente, muita festa, muita comida, poucas me agradavam, muito divertido, pouco tempo me restando. Passei o dia lá, e a noite também, chegando tarde na casa dos meus tios. Tarde o suficiente para dormir, acordar e ir embora no dia seguinte.

Acordar atrasado, me arrumar correndo, meu tio ainda fazer a surpresa de passar na loja e me abastecer de doces para trazer para casa, enquanto eu estava feliz achando que não teria que carregar bagagens extras. Outros parentes reclamando da minha ausência em visitá-los, mesmo os próprios constatando que não havia tempo. Viagem muito corrida, como eu esperava e imaginava.

No aeroporto ainda pude encontrar, atrasado obviamente, a Giu que estava tendo um ataque de risos, e a Lih com toda sua fofura e expressão indignada pelo meu atraso. Ainda tivemos tempo de comer algo, apesar da falha informação da Lih que existe comida decente no aeroporto, ri muito com elas, constatei o que já sabia, ambas são engraçadas e fofas, a Lih é fofa plus.

Subi levemente atrasado para a plataforma, ouvi meu nome ser anunciado, vi a cara feliz do funcionário da Gol quando eu cheguei correndo agitando minha passagem e ele perguntava meu nome para confirmar. Tive o prazer de ter todos os passageiros me olhando entrar, sentei e voltei feliz para casa constatando que, passar apenas um final de semana em São Paulo é muito pouco para tudo que eu queria fazer.

Minha sorte é que eu sempre volto, e espero que nessa volta as pessoas que ficaram levemente putas pela minha não-visita, fiquem mais felizes com a minha presença, o que me faz pensar o quanto elas são estranhas.