quinta-feira, fevereiro 10, 2011

my mind.

É o calor. É essa sua frase. É a frase dela também. É tudo que eu escuto. Tudo que eu faço. Tudo que eu tento. E nada parece bom. Nada. São as reclamações. São os absurdos. São as suas prioridades. É o fato de eu não parecer uma delas. São as suas condições. São favores para você. Para vocês. São pessoas no meu ouvido. São felicidades perdendo a graça. E nunca está bom. Nunca está. Tudo tem defeito. Poucos realmente ajudam. Ninguém me ajuda. Está tudo uma bagunça. O que é essa vida? Eu não aguento mais. É gente que fala o que não deve. Gente que simplesmente não olha o esforço. Vê apenas os defeitos. E reclama. E xinga. E não percebe que alguém tem que arcar com isso. E está quente. Muito quente. E eu estou aqui, porque você não quer abrir mão. E são apenas cobranças. Mas eu estou aqui fazendo algo por você. E sempre terá um erro. Mil acertos e um erro. E esse erro pesará nas minhas costas. Como se fosse a única coisa que eu tivesse feito. Pouco reconhecimento e muita reclamação. Cansa. Cansa. Cansa muito. Pra que isso? Para que tudo? Eu não estou pensando e exatamente assim é minha cabeça. Por que então? Procura e pensa. Calma. Seja calmo. É só um dia. Amanhã melhora. Amanhã tudo muda. Ou continua a mesma coisa, mas adormece. Uma hora adormece. Então só depois volta. Depois de muito tempo. Que vida é essa?

Respira.

Volte a sorrir. Pronto, pode dormir.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Pequenas coisas

Um sorriso de quem se gosta. Ou uma pequena boa noticia boba. Ou alguma encomenda que chega. Ou uma carta com aquela letra arredondada escrita a mão. Ou apenas dois nomes em um calendário qualquer. Ou o barulho da chuva antes de dormir. Ou caminhar sentindo o vento frio no rosto em um dia comum. Ou qualquer outra coisa que seja agradável.

São essas pequenas coisas que alegram, que marcam, que nos arrancam sorrisos e suspiros. Muitos não compreendem, fazem pouco caso ou simplesmente um comentário desagradável. Como se fosse impossível ser feliz com algo tão simples.

Não compreendem, talvez por nem tentarem. Mas tudo bem, afinal, eu estou feliz, e não me importa o tamanho do motivo, mas sim a conseqüência.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Satisfazer o insatisfeito

Eu estou triste, mas isso não importa. O que importa é o que você sente, porque se você não está bem eu continuo triste, mas também com dor de cabeça. E você tem um humor tão instável que simplesmente não dá para ter exata certeza de como lidar. Mesmo com alguns anos de experiência, simplesmente não dá.

Porque mesmo quando tudo caminha da forma certa, algo incomoda. Pode nem estar visível, mas é encontrado em uma busca minuciosa. Porque sempre há algo para se encontrar. Coisas tão insignificantes que viram meteoros capazes de destruir a Terra.

As vezes eu canso, mas me cansar é inútil, porque nunca muda. Eu até quero, mas simplesmente não vejo como. Então eu desisto, porque uma coisa eu certamente aprendi: É impossível satisfazer o eterno insatisfeito.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

#Day 1 — Your Best Friend

Foram tantas vezes que eu tentei escrever essa carta, e simplesmente nunca deu certo. Eu sempre acabava apagando e desistindo. Exceto talvez a vez que eu perdi o arquivo em um acidente no computador. O que chega a ser irônico, já que para a maioria essa carta deve ser a mais fácil. No minimo, é essa a impressão que tenho..

Talvez porque essa carta simplesmente não tenha um remetente especifico. Apesar de sempre estar rodeado de excelentes amigos, eu nunca tive um melhor amigo. Melhor amigo no sentido que a palavra faz para mim, obviamente.

Na minha definição simples, melhor amigo é aquela pessoa que você confia tudo. Que você sente falta sempre que está longe. Que é tão intimo que parece ter nascido ao seu lado, e isso faz todo o sentido do mundo. Melhor amigo para mim é aquela pessoa que você pode falar tudo, sem medo nenhum, mas que você não precisa dizer nada, porque tudo já está claro apenas pelo olhar.

Melhor amigo é aquela pessoa que te coloca em primeiro lugar sempre, e você faz o mesmo com ele sem nem pensar. Melhor amigo é aquele que não precisa ligar para aparecer, e não precisa nem que você esteja em casa para aparecer, porque a sua casa é a casa dele também. Melhor amigo é aquele que se sacrifica por você, e que você faz o mesmo por ele.

Melhores amigos não tem prazo de duração, ou tempo para começar. Pode acontecer depois de meses, ou apenas alguns segundos. Contudo, eu tenho a sensação de que está cada vez mais difícil conseguir um. Como se cada vez as pessoas se envolvessem, ou só o fizessem quando houvesse muito interesse.

Quando eu paro para pensar na minha vida, percebo que tive inúmeros candidatos a melhores amigos, de verdade. Pessoas que eu gostava a tal ponto, e confiava bastante, e até parecia ser recíproco, mas que nunca deu tempo de se firmar realmente.

Eu sempre fui muito fechado em relação as pessoas. Não confio nos outros facilmente. Como se eu tivesse que manter uma distancia segura. Não sou de desabafos. Não me abro com qualquer um. Falar dos meus problemas com alguém é muito difícil. Apesar de eu ouvir e tentar ajudar com muita facilidade. Então eu penso que talvez todo esse receio possa ser o problema, ou não, porque é exatamente ele que me faz acreditar que minhas relações são mais fortes, algo emocionalmente racional.

Só sei que, sinceramente, as vezes eu sinto falta de um melhor amigo. Eu vejo o mundo se fechando em duplas e eu sinto falta disso. Sinto falta de alguém que olhe muito por mim. Alguém que seja totalmente meu cúmplice e que eu possa ser também. Alguém que me entenda. Alguém que não julgue. Alguém que me faça sentir bem só de estar presente. Algo que esteja acima das palavras, e que tudo isso seja sentido.

E eu não falo de uma relação de namoro ou casamento, porque eu acredito que melhores amigos estão acima disso. Eu falo de alguém que seja como um irmão que meus pais não me deram, mas que fosse escolhido pelo coração.

Enfim, quem sabe algum dia essa carta seja para você.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Algo novo para o ano novo

Desde 2007 que existe uma onda pessimista a minha volta em relação a novos anos, como se a cada virada um ano fosse terrivelmente pior do que o outro. Algo tão absurdo que me fazia esquecer o que de bom aconteceu, e me deixasse apenas a memória ruim e que sim, ele havia conseguido ser pior que seu precedente.

O pior é realmente conseguir contabilizar uma sucessão de acontecimentos desagradáveis, mas que qualquer pensamento mais racional teria encontrado o equilíbrio com o que houve de bom. Bastava apenas lembrar disso.

Fato é que na virada desse ano deixei várias daquelas antigas pequenas tradições que ninguém leva a sério, mas acredita minimamente, de lado e simplesmente não as fiz.

Não pulei as ondas, até por uma questão de higiene, estou em São Paulo  e a Represa de Guarapiranga não me inspira muita confiança. Não comi as uvas, e romãs e lentilhas que as tias sempre oferecem. Não sai na rua para abaixar as calças e mostrar a bunda pra lua. Não usei cueca nova e de alguma cor especifica (mas estava limpa, ok?). E nem fiz muitas das outras recomendações (e brincadeiras - sérias) que pessoas das mais variadas religiões ensinam a fazer.

Simplesmente porque achei ser muito estranho querer um ano diferente e começar fazendo justamente as mesmas coisas. Fato é que, independente de tudo, me senti bem. Senti uma certa e reconfortante confiança. E pode ser tudo balela e tudo se manter igual ou pior, mas pode melhorar, e a graça é essa incerteza.

E bom, feliz 2011.