terça-feira, março 22, 2011

And one more time...

Segundo dia consecutivo que vou dormir mal e desgastado. Não vi o dia passar. Não sei o que aconteceu com nada. Estou mal e com uma sensação desesperadora. E eu não fiz nada, simplesmente não fiz nada para me sentir assim. Não estou envolvido, e foi uma escolha não me envolver. Foi tudo tão desnecessário. Tão sem sentido. Tão descontrolado. Tão decepcionante.

Simplesmente cansei. Obvio que vai passar, mas até quando eu vou aguentar cansar e voltar?

quinta-feira, março 10, 2011

The Last Night

Espere a noite chegar e vá até sua janela. Depois que abrir as cortinas olhe atentamente para cada ponto luz na terra. Ignore por um instante as estrelas e a lua. Olhe apenas em frente as milhares de luzes que iluminam a noite.

Imagine que por baixo daqueles milhares de pontos brilhantes existem uma, duas, três ou mais vidas. Cada um com suas alegrias, tristezas e problemas. Cada um vivendo conforme sua própria consciência. A grande maioria não te conhece, não sabe quem você é, ou sequer se importa contigo.

Poucos se importam com o que te acontece, ou deixa de acontecer. Exceto é claro que seja algo muito grave e se torne publico, então todos se importam. A maioria dos problemas graves e difícil saida são comuns a todos. Então é mais fácil alguém se identificar, ou temer que lhe aconteça o mesmo, e assim se importar.

Olhe de novo e pense em quantos ali você ajudaria. Quantos você já dedicou sua atenção ou mesmo se importou. Quantos você já não xingou mentalmente por algum inconveniente. Ou quantos você elogiou por alguma aleatoriedade.

Agora pense nas luzes que sua visão não alcança. Ou nas que estão apagadas devido a madrugada. Pense. Pense em cada uma. Em cada vida, em cada conflito, em cada sorriso, em cada tristeza e no que cada um fez por você para que você sorrisse, chorasse ou vivesse.

Pense em quantos você conhece, quantos você ainda quer conhecer, quantos você não faz questão, quantos você sabe o nome, quantos você agradeceu e quantos você sorriu pela manhã mesmo em um dia de chuva.

Faça isso um dia. Não hoje e nem amanhã. Apenas quando o tempo e o sono lhe permitirem. Assista na janela até todas as luzes se apagarem e o dia ficar claro. Até o sol nascer, e tudo se transformar em uma coisa só, uma coisa maior. Mas comece pela noite, porque é nela que tudo se destaca e as coisas aparentam ser mensuráveis.

Fazer tudo isso não tem um real significado. Nada especial, mas já é um bom para começar a entender o problema do mundo.

domingo, março 06, 2011

Apenas uma noite de carnaval

Em uma noite comum de carnaval, ouvindo músicas aleatórias no fone, pensando em frente a tela do computador. Pensando no que poderia ser, no que poderia ter sido e no que poderia mudar.

Não quero pensar, mas não paro.

E continuo escutando músicas aleatórias em uma noite de carnaval.

domingo, fevereiro 20, 2011

Eu nem gostava tanto de Paralamas

Um convite inesperado em um sábado a noite. O show começa e eu conheço algumas músicas, mas não todas. Estava cercado de pessoas estranhas, todas interessantes, todas com boas histórias e coisas para contar. Todas curtindo o mesmo momento.

Então no meio de uma música você chegou. Chegou porque uma amiga sua insistia em ficar o mais perto possível do palco. Nós estávamos próximos ao palco, mas ainda havia chance de ir mais para frente. Vocês desistiram. Vocês ficaram parados ao nosso lado, e nos olharam como pedindo desculpa por entrar naquele pequeno espaço apertado. Eu e minha amiga olhamos de volta e demos de ombros e rimos e continuamos assistindo. Vocês também riram, e então se soltaram.

Eu nunca tinha ido a um show do Paralamas do Sucesso, mas eu conhecia músicas o suficiente para não ficar em silêncio. Você também não parecia conhecer todas, mas estava feliz e pulava e cantava e agitava os braços no ar. Você se soltava e batia palmas, eu também. Todos aplaudiam no fim de cada música, ou no meio de algumas delas.

As luzes iluminavam seu rosto. Cada cor diferente mostrando algo novo em você. Você sorria e aproveitava cada música. Você sorriu durante toda apresentação. E eu ficava olhando do palco para as pessoas próximas e sempre acabava em você. Eu sempre tive mania de olhar tudo ao redor, e ver a expressão das pessoas em momentos de euforia. É algo bonito, é algo que faz bem. Terminar em você me fazia muito bem.

Mesmo as horas em que alguém tentava passar e você sumia no meio da multidão, e as pessoas a volta mudavam, vocês voltavam. Vocês sempre voltavam ao nosso lado.

Percebi em um momento que você fechou os olhos e sentia a música. Eu mesmo já tinha feito aquilo alguns minutos antes. De olhos fechados sentindo as vibrações das batidas, sentindo as notas, percebendo os flashes de luz invadindo meus olhos por trás do escuro. Me senti dividindo algo contigo.

E eu pulava e gritava. E todos pulavam e gritavam. E você pulava e gritava. E você gostava daquilo. E exatamente por você não conhecer todas as músicas, ao contrário dos seus amigos, eu achava que você gostava do mesmo jeito que eu. Era como uma novidade vibrante.

Então acabou. Todos começaram a dispersar, minha amiga e eu resolvemos esperar a multidão sair. Vocês também esperaram. O dj começava a tocar e vocês estavam dançando. Poucos segundos depois minha amiga me chamou para ir embora, ela estava cansada, nós estávamos cansados. Começamos a caminhar no meio das pessoas. Eu ainda olhei para trás para ver seu rosto pela última vez, mas você estava de costas e essa foi a última visão que tive de ti.

Não trocamos uma palavra, não sei seu nome ou quem você é. Não sei o que gosta ou o que faz. Sei apenas que estava lá. Sei que estava feliz. Provavelmente eu nunca mais te veja, talvez um dia eu esqueça seu rosto, mas eu nunca vou esquecer de quem fez meu primeiro show do Paralamas do Sucesso ser inesquecível.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

my mind.

É o calor. É essa sua frase. É a frase dela também. É tudo que eu escuto. Tudo que eu faço. Tudo que eu tento. E nada parece bom. Nada. São as reclamações. São os absurdos. São as suas prioridades. É o fato de eu não parecer uma delas. São as suas condições. São favores para você. Para vocês. São pessoas no meu ouvido. São felicidades perdendo a graça. E nunca está bom. Nunca está. Tudo tem defeito. Poucos realmente ajudam. Ninguém me ajuda. Está tudo uma bagunça. O que é essa vida? Eu não aguento mais. É gente que fala o que não deve. Gente que simplesmente não olha o esforço. Vê apenas os defeitos. E reclama. E xinga. E não percebe que alguém tem que arcar com isso. E está quente. Muito quente. E eu estou aqui, porque você não quer abrir mão. E são apenas cobranças. Mas eu estou aqui fazendo algo por você. E sempre terá um erro. Mil acertos e um erro. E esse erro pesará nas minhas costas. Como se fosse a única coisa que eu tivesse feito. Pouco reconhecimento e muita reclamação. Cansa. Cansa. Cansa muito. Pra que isso? Para que tudo? Eu não estou pensando e exatamente assim é minha cabeça. Por que então? Procura e pensa. Calma. Seja calmo. É só um dia. Amanhã melhora. Amanhã tudo muda. Ou continua a mesma coisa, mas adormece. Uma hora adormece. Então só depois volta. Depois de muito tempo. Que vida é essa?

Respira.

Volte a sorrir. Pronto, pode dormir.